Dizem que tudo que nos acontece é capaz de nos ensinar algo não é mesmo? Existem
muitos frases prontas que caminha nesse sentido: “Precisamos aprender com os nossos
erros” ou “fique atento à lição de moral que você pode tirar disso”.

Pensando nisso, será que a dor que sentimos ao tocar o acordeon é capaz de nos ensinar
algo? Ou melhor, ela consegue fazer com que nós possamos melhorar nossa técnica nesse
instrumento?

Pensando nisso eu resolvi trazer esse assunto nesse artigo. Tentar mostrar como a dor
pode sim nos educar e nos fazer melhores no acordeon.

Quando você começa a treinar, se matricula em uma academia e faz o primeiro treino.
Certamente você vai ficar dolorido nos dias seguintes. Vai ter problemas pra fazer
atividades do dia a dia pois a dor vai estar alí presente.

Isso acontece porque ao treinar no primeiro dia nós estimulamos os nossos músculos de
uma maneira que ele não está acostumado e ele vai reclamar disso.

No entanto a dor não fica para sempre. A medida que o tempo pass e nós vamos
aprendendo a como estimular o músculo corretamente e dor vai desaparecendo e fica cada
vez mais fácil executar o exercício.

No acordeon é exatamente a mesma coisa!

Lembro que nos primeiros dias, no início da minha trajetória no acordeon eu senti muita dor.
Apesar de ter vindo do piano, que eu toco desde criança, ainda assim sentia muito
desconforto ao tentar tocar o acordeon.

Passavam-se 15 minutos e o meu braço esquerdo doía por causa do fole, além da mão que
também sofria. Isso acabava me desestimulando a continuar a tocar. No dia seguinte eu
tentava de novo e me preocupando com a dor. Tentava segurar de uma maneira diferente
para ver se a dor não aparecia.

Tentava não forçar muito os músculos, não segurar o instrumento de maneira bruta mas
mesmo assim no início foi difícil. Ficava imaginando como era possível que pessoas
ficassem horas e horas tocando em bailes por exemplo.

Comecei a perceber que para não sentir a dor eu tinha que “economizar o músculo”, não
querer forçar o braço como um louco, assim como na corrida onde o maratonista precisa
regrar o seu ritmo para conseguir chegar até o final, em outras palavras não queimar a
largada, precisava aprender uma técnica.

Hoje consigo ver que essa dor que eu senti no início foi essencial para me ajudar a evoluir.
O medo de sentí-la me fez procurar um modo de evitá-la, o que me fez preocupar com
questões como postura corporal, posicionamento dos braços, mãos.

O corpo, até mesmo por causa da memória muscular, vai procurando, de forma
inconsciente, uma maneira de encaixar melhor o instrumento. Viu, sendo educado pela dor.
Outra coisa que a dor nos ensina em relação ao acordeon é que ela é um indicador de que
algo está errado.

Sim, tocar acordeon não deve gerar dor! Se a dor aparece é sinal de que você não está
fazendo tudo corretamente, pode ser uma má postura ou até mesmo uma tensão
desnecessária que você está tendo para fazer o movimento.

Existem os posicionamentos corretos do corpo, dos membros, das mãos. A curvatura da
coluna deve ser adequada. Tudo isso são aspectos que você vai precisar aprender e caso
não os adote corretamente o seu corpo vai reclamar por meio da dor.

Tenho alguns vídeos no meu canal no YouTube, Raffa Vanazzi, onde ensino as posturas
corretas, dá uma conferida lá.

Em resumo posso dizer que a dor pode sim nos ajudar a evoluir no acordeon. O que
comprova todos aqueles ditados sobre aprender em todas as situações.

Como maior dica para você digo que preste atenção ao o que o seu corpo diz, aos sinais
que ele dá. Se ver que algo não está certo, que está te causando sofrimento, não ignore.

Busque entender a causa disso e como resolver.

Um grande abraço, bons estudos sempre!

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