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Aqui no Brasil, quando a gente pensa em “sanfona” imediatamente vem à nossa cabeça os grandes artistas como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca e tantos outros nomes que fizeram este instrumento musical ocupar um papel importante na cultura popular brasileira.

Precisamos sempre reconhecer e valorizar o que esses grandes artistas brasileiros fizeram e estão fazendo pela nossa cultura através da sua música e da sua história. Como publicamos aqui no nosso blog são de verdade os grandes sanfoneiros do Brasil.

No entanto este cenário predominantemente masculino vem se transformando ao longo dos anos. As mulheres estão encantando e abrindo o seu espaço no ritmo e na beleza da sua sanfona, em todos os cantos do Brasil.

Elas começaram timidamente

Algumas sanfoneiras já iniciaram a carreira tocando ao lado de grandes músicos. É o caso de Terezinha do AcordeonMarinês e muitas outras que foram inspiradas pela forte influência dos maiores nomes da música. Duas dessas artistas contemporâneas que estão no topo da fama são Lucy Alves e Bia Socket. Porém, como acontece com a maior parte dos artistas brasileiros, muitas dessas que hoje são reconhecidas como sanfoneiras de sucesso, começaram tocando em pequenos eventos e festas populares.

Atualmente, embora ainda seja um mercado predominantemente masculino, essas artistas têm conquistado um espaço cada vez maior junto ao público. Suas sanfonas fluem com a mesma competência e beleza de qualquer outro sanfoneiro que já existiu. Sim, é difícil e escasso o nicho de mulheres sanfoneiras. Mas elas estão resistindo e crescendo, levando a alegria desse instrumento para todos os brasileiros, de norte a sul do país.

apaixonados por acordeon mulheres sanfoneiras de sucessoO legado da sanfona

Os homens já não são os únicos responsáveis por carregar o legado dos sanfoneiros. A sanfona, mesmo sendo um instrumento pesado, não resistiu a resiliência, disciplina e versatilidade da mulher brasileira. Além disso, é claro, contamos com a incrível capacidade criativa e talento da mulher brasileira. Convenhamos, isso é um traço notável de nosso Brasil!

Neste meio composto majoritariamente por homens, já encontramos até meninas muito pequenas sanfoneiras por todo canto. Como, por exemplo, a pequena Alice de 8 anos. Moradora de Belo Horizonte, MG, ela é apaixonada pela sanfona deste os 3 anos de idade. O seu talento já impressiona artistas famosos como o Xonadão do Trio Parada Dura.

Outro exemplo é o talento de Sofia e Giovana. Foram descobertas ainda na infância, na cidade de Turvo, SC. Conhecidas também como “Meninas da Sanfona”, tocaram ao lado de grandes nomes da música sertaneja, como Michel Teló e Henrique e Juliano. Em 2019 a dupla se separou e seguiram carreira solo.

Vencendo o preconceito

Na realidade as mulheres sanfoneiras sempre foram olhadas com certo preconceito. O formato dos shows, dos bailões e até mesmo as letras das músicas acompanhadas pela sanfona passavam uma mensagem de que esse universo seria dominado pelos homens. As sanfoneiras foram, por muito tempo,  ignoradas até pela mídia, sendo obrigadas a tocar a sua sanfona nas suas casas, com a sua família, com seus maridos, amigos e em pequenos saraus.

Aos poucos elas estão ganhando espaço, saindo do anonimato e conquistando o primeiro plano com garra e muito talento.

E para você se inspirar nos separamos a história de algumas dessas mulheres guerreiras e sanfoneiras de sucesso:

Terezinha do Acordeon – uma vida dedicada ao forró.

Nascida na cidade no salgueiro em Pernambuco, Terezinha do Acordeon, completou 70 anos de vida e boa parte dedicada a música. Começou a tocar com 14 anos de idade, dominando os palcos desde menina, chegando a tocar ao lado de grandes músicos.

Reconhecida como cidadã de Recife, PE, esta sanfoneira e cantora tornou-se uma grande forrozeira laçando o seu primeiro Álbum em 1984. Intitulado “Alegria do Sertão”, esse disco foi o início de uma série de outros lançamentos, produzindo uma coletânea de sucesso.

A primeira mulher sanfoneira a ficar famosa no Nordeste, Terezinha do Acordeon, atualmente se dedica ao ensino de jovens sanfoneiros e trabalha para  abrir uma escola maior na região, para perpetuar o som das teclas da sanfona Nordeste.

Lucy Alves de João Pessoa para o Brasil

Lucy Alves é uma artista completa: cantora, compositora, instrumentista, apresentadora e atriz. Esteve ao lado de grandes nomes da música brasileira como Dominguinhos, Marinês, Pinto do Acordeon, Sivuca, Quinteto Violado e Oswaldinho do Acordeon. 

Começou a sua carreira na música aos 4 anos de idade tocando violino nas Orquestras Sinfônicas da Paraíba e de Recife e da Orquestra da Câmara de João Pessoa.

No ano 2000 formou o grupo Clã do Brasil com suas três irmãs, a mãe Maria José e o pai José Hilton lançando o seu primeiro CD em 2002, intitulado “A sedução do Clã Brasil”. Com o grupo lançou oito álbuns, sendo dois álbuns ao vivo e dois DVDs. Essa mulher talentosa participou também de shows em todo Brasil ao lado de Alceu Valença.

A carreira de Lucy cresceu ainda mais depois que ela conquistou o segundo lugar do The Voice Brasil em 2013. Revelou o seu talento de atriz na TV, ao participar da novela Velho Chico, de Benedito Ruy Barbosa.

Lucy Alves é a prova de que sanfoneiras existem e estão ganhando seu espaço na música e na cultura popular brasileira.

Bia Socek – A sanfoneira mais nova do Brasil

Recentemente eleita pelo público e pelos fãs, como a melhor sanfoneira do Brasil, essa cantora e sanfoneira já tem 15 anos de carreira, com 10 CD´s gravados. Bia Socek nasceu da cidade de Quitandinha em Curitiba, PR. É instrumentista muito versátil: toca viola, violão, sanfona e ukulele.

Começou a carreira deste os 10 anos de idade vendendo os seus CD´s acompanhada pela sua mãe em festas regionais. Deste 2017 ela vem percorrendo o Brasil com shows e apresentações em grandes eventos contando com a participação de outros artistas de grande sucesso.

Sanfona é, sim, coisa de mulher!

Os homens sempre foram o centro das atenções quando o assunto é sanfona. Hoje em dia porém, assim como ocorre em várias outras esferas da vida em sociedade, as mulheres estão cada vez mais ocupando o esse espaço, rompendo com os padrões patriarcais. Na música e na arte não poderia ser diferente. Ainda bem!

O talento e a vocação não têm gênero, mas sim um coração cheio de gingado com muita história e alegria para cantar. Graças às mulheres empoderadas e talentosas do Brasil, sanfona é, sim, coisa de mulher!

Imagens cedidas por: Adobe Photo Stock

 

 

 

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